EU

10-08-2017

"Corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz dentro dele."

Há umas semanas atrás publiquei um texto sobre a minha doença e o quanto esta afetava a minha autoestima, confiança e à vontade para com as outras pessoas em geral.

Hoje, venho falar sobre o que "ficou" depois do meu diagnóstico e tudo o que tenho vindo a aprender ao longo destes anos. Venho falar de mim.

O aspeto físico, a aparência e aquela primeira impressão que é transmitida através da linguagem corporal é importante.

Não sejamos hipócritas em dizer que só conta aquilo que uma pessoa é porque infelizmente, olhamos de forma tão superficial para os outros que nem sempre nos lembramos que o conteúdo cultural e a bagagem emocional pode nos interessar muito mais que um corpo escultural e uma carinha laroca.

Eu já me importei com aspetos insignificantes como por exemplo, com o que vestia, com o que calçava, com a forma como me penteava, até com os sítios que frequentava... Olhando para trás, considero que era uma miúda fútil mas não fugindo ao assunto de hoje no blog, não era a futilidade que se destacava mas sim o medo de ser diferente e os comentários que poderia vir a ouvir por isso. Até hoje em dia, continua a ser um defeito ser diferente.

Ironicamente, a nossa sociedade "grita" por uma mudança e por uma aceitação mais abrangente. Em algumas fases mais complicadas da minha adolescência, lidar com a doença e em simultâneo tentar seguir o que era considerado "normal" tornou-se difícil.

Agora é muito fácil, simples até. Sigo o meu caminho. Sim, o MEU. Sou como sou e, por muito cliché que se pareça, são os meus defeitos, as minhas marcas e as minhas centenas de imperfeições que me caracterizam de forma tão inequívoca que tenho confiança para dizer que tenho orgulho no que sou.

Visto um tamanho S de roupa? Não. Tenho um corpo perfeito? Longe disso. Sou completamente despenteada e despreocupada com as marcas que tenho na minha pele? Sim. Não são cicatrizes, escoriações e até mesmo algumas estrias que tornam o meu corpo feio. Só diferente.

Não estou, de modo algum, a querer dizer que devemos aceitar como somos de qualquer maneira e feitio e não nos preocuparmos mas há sempre uma medida perfeita para qualquer problema e nunca se esqueçam que um corpo bonito não é necessariamente um corpo saudável. Para quem segue os meus textos sabe perfeitamente que eu escolho a saúde em detrimento de qualquer outra coisa.

Ter orgulho na nossa forma física, seja ela qual for, é tão saudável! Sentir que os comentários dos outros não me afetam porque estou satisfeita com o que sou facilita imenso. Ter que viver no meio de certos "abutres" que só se sentem bem rebaixando os outros acaba por ser "a walk in the park" como se costuma dizer.

É engraçado como a aparência nos pode iludir tanto. Nem tudo o que vemos é tal e qual como parece aos nossos olhos. Nunca se esqueçam que a confiança interior que cada um tem em si próprio é muito mais importante do que aquela que transmitimos para fora e que muitos tentam transparecer de forma exuberante e em demasia.

Eu gosto de mim!

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